15 anos do PPGRI em 2026

 

Em 2026, o Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFSC completou 15 anos. Nos dias 16 e 17 de março do referido ano, tivemos um evento comemorativo para reunir discentes, docentes e demais interessados, com um ciclo de palestras e convidados docentes de renome nacional. Tivemos a participação do Professor Eduardo Mariutti, da UNICAMP; do Professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, da UnB, e da Professora  Leticia Pinheiro, da UERJ.

Atualmente, o PPGRI oferece cursos de Mestrado e Doutorado, além de Estágio Pós-Doutoral (este último com fluxo contínuo), com duas linhas de Pesquisa: Política Internacional e Economia Política Internacional. Com corpos discente e docente qualificados, e expressivo número de discentes matriculados e egressos, o programa preocupa-se com seu aprimoramento constante e consequente busca da excelência no que tange ao ensino, pesquisa e extensão.

Veja algumas fotos do evento de comemoração, clicando aqui.

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Abaixo, depoimentos de docentes permanentes e colaboradores, compartilhando lembranças e sentimentos de suas trajetórias, além de desafios, junto ao PPGRI:
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“Minha chegada na UFSC em 2012 aconteceu a um só tempo na graduação e na pós-graduação. Fui a primeira professora da disciplina de Política Externa Brasileira no PPGRI, assim como na graduação. A organização dos planos de ensino e seleção das leituras foi desafiante – como resumir os enfoques e as discussões sobre o momento tão interessante que o Brasil vivia internacionalmente? Tivemos debates riquíssimos nas aulas, com estudantes dedicadas e interessadas nas realidades brasileira e latino-americana. Lembro como se fosse hoje da sala de café que a querida Lúcia montava na secretaria nos intervalos das aulas, passando de pic-nic coletivo a espaço de conversa, apoio e trocas sobre as pesquisas e a vida em Florianópolis longe das famílias. Lembro também dos seminários gerais do PPGRI que organizamos quando estive na coordenação entre 2015 e 2017, eventos mensais em que um docente ou estudante apresentava um texto para debate, seguido de diálogo coletivo e sugestões para o aprimoramento da pesquisa.”

Profa. Dra. Clarissa Franzoi Dri

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“Neste momento em que celebramos os 15 anos de trajetória do PPGRI/UFSC destaco que este tempo representa um marco, um momento que não é apenas um referencial temporal, mas, especialmente, denota um momento institucional importante.

Em que pesem as dificuldades que a pós-graduação enfrenta no Brasil, temos o orgulho de apresentar uma característica significativa que é a de atrair candidatos de todos os cantos do país e estudantes internacionais que procuram o PPGRI UFSC pelas características de seu corpo docente e pela alma do Programa. Fato que muito nos enche de orgulho e, ao mesmo tempo, nos relembra da responsabilidade para com a ciência e a pesquisa rigorosa.

Portanto, celebrar esta trajetória inclui não apenas historiar o passado, mas, a partir do presente, olhar para o futuro. A nossa comunidade soube ser abnegada em nome do Programa, mas precisamos nos atentar que o futuro depende muito de nossos passos conjuntos, de desenvolvermos a capacidade de pensarmos coletivamente a busca pela excelência que deverá pautar os próximos anos.

Eu tenho muito orgulho de fazer parte da comunidade PPGRI/UFSC. Tenho a satisfação de ver que conseguimos consolidar um trabalho fora do eixo tradicional das RI no Brasil e hoje podemos dizer que somos um polo significativo de formação de mestres e doutores.

Vida longa ao PPGRI/UFSC! Que possamos olhar para o futuro deste Programa com muita seriedade, mas também com generosidade acadêmica.”

Profa. Dra. Graciela de Conti Pagliari

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“Aproveito a oportunidade para falar um pouco sobre nossa trajetória. A abertura formal do nosso doutorado, no ano de 2019,  completou um processo iniciado em 2007, quando o então departamento de ciências econômicas decidiu aderir ao REUNI – plano do governo federal de expansão das universidades federais – propondo a criação de um curso de graduação em relações internacionais. Esse curso começou em 2009. Em 2010, apresentamos o projeto de criação da pós-graduação, sendo autorizada a criação do mestrado, com sua primeira turma iniciando em 2011. 

Mas não foi fácil essa trajetória, e não tem sido fácil. Pelo contrário, ela é resultado de muito esforço cotidiano, na construção e melhoria desses cursos. O exemplo concreto é a graduação em relações internacionais que é, com base em vários indicadores, o melhor curso de graduação do CSE. Mesmo assim, é preciso dizer que, desde antes do início formal dos cursos de graduação e mestrado, enfrentamos resistências internas (os adversários do REUNI, por exemplo), que chegaram até o ponto de não nos direcionarem vagas de concurso, disponibilizadas pelo governo federal, e que deveriam ter sido alocadas ao departamento. Até mesmo a mudança do nome do departamento, que passou com justiça a reconhecer a existência do campo das relações internacionais, foi combatida por uma minoria. No caso da criação do mestrado, eu era chefe do departamento e enfrentamos a violência verbal de uma minoria em reunião do departamento, que tudo fez para inviabilizar a criação do curso, sob o argumento falacioso de que o mesmo prejudicaria a graduação em economia. Essa ladainha existe até hoje, de forma sorrateira, às vezes explícita, pois alguns ainda acreditam  que as relações internacionais são a causa dos problemas do curso de economia, quando na verdade, o campo da RI oxigenou o departamento, ampliou as vagas de graduação e pós-graduação e vem se consolidando como um caso de sucesso no âmbito da universidade. 

A realidade é que,  passados quinze anos, nós conseguimos construir o campo das relações internacionais em nossa universidade. O doutorado foi a última etapa desse processo, que consolidou formalmente essa realidade. Isso sim é compromisso com a educação e com a formação profissional: criar oportunidades novas, consolidar  um campo novo de conhecimentos em uma instituição pública. Tendo isso como parâmetro, é fácil perceber, de forma cristalina, que aqui há um coletivo que atua em prol da instituição, construindo e consolidando, no dia-a-dia, o campo das relações internacionais na UFSC. Para esse coletivo, nunca faltou coragem e jamais faltará coragem. Afinal, como dito por Riobaldo, grande personagem de Grande Sertão: veredas, “o que a vida quer da gente é coragem”.  

Quando da criação do mestrado, a maioria de nós, por motivos óbvios, ainda não tinha conhecimento das peculiaridades do campo das relações internacionais, pelo fato de não termos quadros, à época, com formação específica em CP&RI. Para alguns, como eu, foi necessário rapidamente superar dificuldades, e a participação nos eventos da ABRI foi importantíssima para nos atualizarmos e nos prepararmos para os desafios de entrar em um outro campo de conhecimento. Os concursos que ocorreram no âmbito do REUNI, nos quais foram aprovados os professores Monica, Graciela, Karine, Clarissa, Juliana, Iara, Daniel, Lucas e também Felipe (quem depois se desligou do programa), foram fundamentais para solidificar o campo das RI no nosso departamento. Depois tivemos a entrada das professoras Danielle e Camila, que também são permanentes no PPGRI.

O PPGRI enfrentou muitos desafios nesses 15 anos. Fomos ao longo do tempo aprimorando os regramentos internos, promovendo adequações constantes nas normas de credenciamento/recredenciamento, nos regramentos de bolsas e nos formatos de seleção de mestrado e doutorado. 

Houve e ainda há um esforço de melhoria dos indicadores considerados na avaliação, tanto a respeito das exigências mínimas para discentes quanto da produção docente, buscando seguir as diretrizes mais gerais da área de avaliação de CP e RI. Hoje, na minha opinião, o desafio é tornar mais homogêneos os resultados de produção discente (no sentido de uma quantidade mínima adequadamente distribuída) e também a produção docente, que deve ser melhor distribuída e condizente com os cursos de melhor nota de avaliação, pois só assim poderemos alcançar uma nota mais alta na CAPES.

Temos também o desafio de avançar ainda mais na internacionalização do programa. Já há várias iniciativas existentes, mas precisamos melhorar a participação docente e, principalmente, discente, nessas iniciativas. Também adensar nossas pesquisas com esse viés de internacionalização. Isso tem que ser tema do nosso planejamento estratégico.

Por último, mas não menos importante, como sinal dessa maturidade do programa que penso que está colocada com esses 15 anos, precisamos ser profissionais também no relacionamento interpessoal, colocando sempre em primeiro plano os interesses do programa, definidos institucionalmente. Com uma coesão mínima, senso de propósito e serenidade, não tenho dúvida de que conseguiremos avançar no PPGRI. Temos capacidade, inteligência e linhas de pesquisa extremamente relevantes no âmbito do nosso programa. Que sejamos humildes e resilientes para alcançar nosso objetivo  mais imediato, de melhoria da nota de avaliação. Basta colocar o PPGRI em primeiro lugar.”

Prof. Dr. Helton Ricardo Ouriques

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