Projetos de Pesquisa

Projetos de Pesquisa dos Professores do PPGRI

AGRIPA FARIA ALEXANDREagripa.alexandre@gmail.com

Ambientalismo e política internacional

Trata-se de uma pesquisa de longo prazo (48 meses) sobre ambientalismo e política internacional, com três problemáticas inter-relacionadas. A primeira é de natureza teórica e trata dos fundamentos filosóficos, epistemológicos, políticos e sociológicos do ambientalismo como um movimento internacional e de como ele baseia sua crítica aos fundamentos da cultura moderna, em especial ao antropocentrismo. O objetivo específico aqui é estudar em profundidade as teorias que sustentam o ambientalismo e forjar um referencial de análise sobre seu estado da arte. A segunda problemática é de natureza mais empírica, porque versa sobre o legado da experiência histórica e recente do ativismo ambiental global. Esse ativismo denota um fenômeno político perceptível e gradual com interações históricas entre atores sociais de diferentes países, desde seu início, mas com maior capacidade de influência hoje em dia devido à atratividade de diferentes públicos com o advento da cultura política da comunicação das mídias eletrônicas. Existem diferentes tipos de ativismo ambiental global. O foco comum é provocar mudanças reais na sociedade, persuadir governos e criar alternativas para a mudança cooperativa, ou mesmo mudar diretamente o comportamento das pessoas. O objetivo específico da parte de estudo desta segunda problemática consiste em elaborar um mapeamento das práticas políticas de ação coletiva do ambientalismo, seus repertórios de ação, as táticas de desobediência civil e os processos de demonstração pública promovidos pelos verdes em termos comparativos por gerações, para com isso alcançar um nível de sofisticação teórica sobre as práticas políticas do movimento e as mudanças culturais. A terceira problemática compreende o estudo (objetivo específico) sistemático de experiências da cultura política do ambientalismo entre diferentes países e blocos, os impactos determinantes da estrutura comunicacional criada pelos atores e processos das ações coletivas do movimento. Esta dimensão da pesquisa pretende também iluminar diferentes metodologias de análise sobre o sistema internacional de mudanças climáticas, as oportunidades, conflitos e desafios para os atores do ambientalismo em função do novo paradigma da transição energética. Para as três problemáticas de estudo, a hipótese da presente proposta de pesquisa entende a ação coletiva do ambientalismo como um elemento objetivo fortemente heurístico que rivaliza com as forças históricas estruturantes de configuração geopolítica (econômicas, institucionais e de outras forças sociais) seja quando o ambientalismo reivindica a mudança radical das sociedades seja quando ele alcança os seus sistemas de normas. Nesse sentido, a pesquisa incorpora uma metodologia de análise sobre ambientalismo como uma categoria típica de nossa época presente na esfera pública comunicacional e nos acordos internacionais. Trata-se de uma categoria histórica em que se percebe, de modo bastante exemplificativo, processos e acontecimentos que transcendem casos individuais, servindo portanto aos critérios de rigor da análise científica da pesquisa sociológica de tendência historicista, embora eu não pretenda fazer uma historiografia rigorosa, mas apontar o ambientalismo presente na política internacional como um tendência marcante e decisiva, capaz de influenciar estruturalmente as relações globais, em termos comparativos entre países e épocas.

CAMILA FEIX VIDAL – camila.vidal@ufsc.br

O poder das ideias e a manutenção hegemônica através do consenso: Estados Unidos e América Latina
O projeto de pesquisa aqui desenvolvido busca repensar as Relações Internacionais, domínio tradicionalmente estadocêntrico, estadunidense e masculino; a partir de abordagens teóricas críticas e neogramscianas que evidenciam as estratégias de manutenção hegemônica no âmbito das ideias. Ainda que menos visíveis, as intervenções estadunidenses na América Latina no século XXI não são menos sutis que as militares durante a Guerra Fria. Continuam fazendo parte de um projeto hegemônico dirigido por uma classe econômica dominante estadunidense (e, portanto, dirigente) que encontra legitimidade e respaldo nos seus congêneres latino-americanos. Os estudos aqui desenvolvidos, assim, têm como ponto de partida o entendimento de que a classe dominante legitima seu papel ao persuadir a sociedade a pensar de uma determinada forma – uma que reproduz a desigualdade econômica e social seja através da força, seja através do consenso. Essa estratégia consiste em fazer prevalecer a internacionalização e a naturalização de saberes e de valores na forma de universalização de “interesses nacionais” apoiados em uma espécie de “saber técnico” (COX, 1981) no qual as relações passam a serem definidas em termos de centro x periferia – estando esta última destinada a mera reprodução dos saberes e conhecimentos desenvolvidos pelo centro. Nesse sentido, ganham espaço, nesse projeto de pesquisa, estudos que visam identificar como se dá a criação e a internacionalização de estratégias de consenso. Em específico, essas pesquisas se debruçam sobre o papel exercido por lideranças e instituições que promovem agendas neoliberais, religiosas e anti-feministas (ou tradicionais) na América Latina em parceria com lideranças e instituições estadunidenses. Em resumo, se objetiva apresentar a hegemonia estadunidense no âmbito de ideias que propagam determinadas doutrinas, valores e interesses próprios de uma classe dominante.
Site: www.geppic.ufsc.br

 CLARISSA FRANZOI DRI – clarissa.dri@ufsc.br

Instituições nacionais de direitos humanos na América Latina: interações regionais e dinâmicas nacionais
O processo de redemocratização contemporânea dos países latino-americanos prescreve no seu arcabouço legal um conjunto de instituições direcionadas a atender as demandas de governança democrática e respeito aos direitos humanos. Parcela dos países da região incorporaram estruturas institucionais centralizadas destinadas a fiscalizar o exercício da administração pública, além de promover, difundir e monitorar o respeito aos direitos humanos. Essa proposta busca englobar pesquisas que identifiquem e analisem essas instituições nos Estados latino-americanos, com foco particular nas defensorias públicas, com diversos objetivos inter-relacionados, tais como: compreender as histórias institucionais e o lugar desses órgãos nos sistemas político e jurídico dos Estados, sistematizar informações sobre seus mandatos legais e suas características institucionais, avaliar suas políticas de difusão, monitoramento e defesa coletiva dos direitos humanos, entender suas relações com outros órgãos governamentais e com a sociedade civil, investigar como a normativa internacional relativa aos direitos humanos influencia ou é influenciada pelos regramentos e práticas nacionais, verificar se e como os arranjos institucionais e as ações das defensorias são disseminadas no contexto regional latino-americano, entender a política de proteção aos direitos humanos que é executada pela defensoria, por meio do estudo das motivações e incentivos para as práticas adotadas, entre outros. Projeto em colaboração com profª. Juliana Viggiano.
 Site: imdh.ufsc.br

DANIEL RICARDO CASTELAN – daniel.castelan@ufsc.br

Empresariado brasileiro e projetos alternativos de política externa
O empresariado brasileiro, embora sem ter vínculos orgânicos com o Partido dos Trabalhadores (PT), apoiou a política econômica e externa implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à aceleração do crescimento via distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno, especialmente entre 2003 e 2008. Desde então, duas circunstâncias combinaram-se para que o apoio empresarial às orientações do governo começasse a ruir. Primeiro, com o impasse na Rodada Doha em 2008, o setor agroexportador perdeu as esperanças de abrir mercados na Europa e nos EUA por meio de negociações multilaterais. Diante do fracasso em Doha, os EUA lançaram negociações com economias sul-americanas que erodiram as preferências até então garantidas à indústria brasileira pelos os acordos entre o Mercosul e a América do Sul. À reorientação da estratégia norte-americana somaram-se os primeiros sinais de que o mercado doméstico não ficaria imune à crise internacional, contrariando as previsões de ‘descolamento’ que alguns haviam defendido. Com o mercado interno e externo ameaçados, despontaram duras críticas à política comercial e externa do PT, que por fim tornaram-se hegemônicas na nova política externa proposta pela coalizão governista liderada pelo PMDB após a derrubada da presidente Dilma Rousseff em 2016. A fragmentação da base política dos governos petistas e o respectivo fortalecimento de um projeto alternativo de política externa e de comércio exterior são os objetos desse projeto de pesquisa. Mais precisamente, os objetivos do projeto são: (a) analisar a mudança no posicionamento empresarial com relação à política comercial, identificando suas lideranças, seus contornos principais e as disputas internas à coalizão; (b) buscar na estrutura econômica e na conjuntura política e econômica explicações para a pulverização do apoio aos governos do PT; (c) discutir as teorias sobre coalizões políticas e política externa à luz dos resultados encontrados.

DANIELLE JACON AYRES PINTO – danielle.ayres@ufsc.br

Segurança Internacional e Defesa no Século XXI
Este projeto está alicerçado na discussão de questões contemporâneas de segurança internacional e defesa. Desde o final da Guerra Fria, as discussões não são mais apenas centradas nas questões tradicionais relativas ao tema; assim, questões não tradicionalmente afeitas às agendas de segurança passaram a fazer parte da realidade internacional e, com isso, de diferentes grupos e agendas de pesquisa. Assim, questões consideradas como “novas ameaças” foram incorporadas à área, incluindo então atores não estatais e dinâmicas não necessariamente alicerçadas no uso tradicional da força. O tema, portanto, passou por uma importante ampliação no sentido tanto de métodos de análise quanto em relação às ameaças que passaram a ser incluídas como de segurança internacional. Também considerando-se o fato da redistribuição de poder no sistema internacional e da ausência de um inimigo único que gerou uma proeminência das dinâmicas regionais de segurança em detrimento de uma agenda global, os temas e atores foram ampliados para considerar diferentes realidades que antes encontravam-se subsumidas na lógica dicotômica Leste-Oeste. Assim, esse projeto de pesquisa estrutura-se de modo amplo para abarcar essas diferentes realidades de temas e pesquisas das dinâmicas contemporâneas. A proposição feita aqui enfatiza o período do pós-Guerra Fria justamente por considerar relevante o entendimento acerca dessas questões e como elas impactam nos tomadores de decisão e no estabelecimento de políticas que as respondam.
Site: www.geppic.ufsc.br
Novas tecnologias e ciberpoder: o Estado e a construção de sua capacidade no século XXI
A discussão conceitual acerca do poder na esfera externa evoluiu juntamente com o amadurecimento das Relações Internacionais enquanto área do conhecimento, que preconizava reorganizar as conceituações e esforços teóricos à medida em que transformava os recursos e a realidade existentes enquanto capacidades e ameaças factíveis. Ao passo que observou-se a coexistência de recursos de poder econômicos e militares como determinantes das dinâmicas interacionais no século XIX, constatou-se, durante todo o século XX, a transição para um cenário no qual os recursos militares desempenharam papel crucial enquanto unidade de medida do poder nacional, em um contexto de conflitualidade e dissuasão jamais experimentado anteriormente. Entretanto, as subsequentes implicações do uso tradicional de recursos de poder, o surgimento de novos atores não-estatais e a ascensão e adesão às tecnologias de informação e comunicação (TIC) enquanto recurso difuso entre novos e velhos atores, tanto a nível individual quanto estatal ou interacional, nos coloca à mercê de uma nova transição quanto ao pensar e mensurar o poder. Assim, esse projeto tem por objetivo problematizar os novos pilares do poder Estatal no século XXI e verificar como as novas tecnologias cibernéticas influenciam nessa dinâmica e na ascensão de novos polos de poder não-estatais dentro do sistema internacional.
 Site: www.geppic.ufsc.br

FERNANDO SEABRA – f.seabra@ufsc.br

A crise do multilateralismo, a indecisão do regionalismo e a ascensão do bilateralismo

O objetivo desse estudo é avaliar comparativamente as características das experiências recentes de acordos de liberalização comercial em suas diversas amplitudes. Mais especificamente, busca-se delimitar as razões que explicam o rápido crescimento de acordos bilaterais de comércio, principalmente, Estados Unidos, China, União Europeia e Japão. Tem-se a intenção, ainda, de examinar como as nações menos desenvolvidas se inserem nessa tendência de acordos bilaterais.

Diagnósticos, estudos e pesquisas em Planejamento de Transportes
O objetivo desse projeta é tratar de planejamento na área de transportes, em especial visando subsidiar a Secretaria Nacional de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil na elaboração do Plano Aeroviário Nacional (PAN).
 Site: www.labtrans.ufsc.br

GRACIELA DE CONTI PAGLIARI – graciela.pagliari@gmail.com

Segurança internacional e atores regionais: dinâmicas, capacidades e instituições
Este projeto intenta investigar, analisar e compreender quais são os atores, os conflitos e as ameaças que compõem as dinâmicas securitárias contemporâneas. A partir das políticas externas, de segurança e defesa e seus elementos prioritários, propõe-se analisar e comparar as relações bilaterais ou multilaterais entre os Estados, ou mesmo as atuações e relações decorrentes dos organismos regionais multilaterais de cooperação. Considera-se que o contexto securitário contemporâneo é impactado pelo reflexo da interação entre os great powers e super powers com os regional powers e que conflitos e ameaças assumiram uma roupagem diferenciada daquela desenvolvida no período da bipolaridade do sistema internacional. Naquele, os Estados e seus tomadores de decisão, as forças armadas e a contenção convencional, assumiam a linha de frente das dinâmicas de segurança. Falar em defesa significava referir-se à manutenção da segurança e estabilidade dos Estados nacionais, de suas instituições e sua população, por meio da utilização das forças armadas. Contudo, outros atores que não os estatais se consolidaram como partícipes das e nas dinâmicas de segurança e defesa internacionais. Contemporaneamente Estados, grupos insurgentes, paramilitares, organizações não estatais, são atores que podem atuar como securitizadores, promotores de conflito e produtores de ameaças. O projeto enfatiza a área sul-americana – mas não exclusivamente – enfocando as instituições e órgãos regionais de segurança e/ou defesa, cooperação civil-militar, atores estatais e não estatais. Outras regiões do mundo são consideradas a partir da perspectiva de áreas de segurança movidas por meio de diversos temas securitários e estratégicos, os quais também podem compor o objeto de estudo.
 Site: www.gesed.ufsc.br

HELTON RICARDO OURIQUES – helton.ricardo@ufsc.br

As trajetórias de desenvolvimento da América Latina e do Leste Asiático em perspectiva comparada em três temporalidades da Economia-Mundo Capitalista (1500-1850, 1850-1980, 1980 em diante) 

Uma das questões mais desafiadoras para as ciências sociais é encontrar explicações convincentes para o seguinte fato: Com três ou quatro exceções, entre as quais Brasil, México e Chile, todos os países da América Latina (AL) se encontram na periferia da economia-mundo capitalista (E-MC),  isso desde que ambas as entidades (AL e E-MC) surgiram no século XVI.  Em geral, as explicações para esse baixo nível de desenvolvimento econômico são buscadas nas histórias individuais de cada país. Contudo, se a maioria deles se encontra na mesma condição, não é razoável pensar que pode haver características comuns que os impedem de ascender na hierarquia do poder e da riqueza mundiais? E essas causas comuns não seriam aquelas da região a que pertencem esses países, quer dizer, a América Latina? Em caso positivo, quais seriam essas causas, como identificá-las?

Inspirados por autores que consideram que o enfoque regional é mais apropriado para estudar as trajetórias de desenvolvimento econômico de países do Leste Asiático, concluímos que o enfoque regional também pode ser útil para entender a posição atual dos países latino-americanos dentro da economia-mundo capitalista. Para essa compreensão, a pesquisa pretende ampliar o espaço e o tempo da comparação entre as duas regiões, inserindo-as em uma entidade maior, a economia mundo capitalista, que tem suas próprias temporalidades. Metodologicamente, o recorte temporal englobará três temporalidades: 1500-1850, 1850-1980, 1980 em diante.

Todo nosso esforço de pesquisa será direcionado para responder a seguinte pergunta-chave: quais as relações de cada região com a economia-mundo capitalista em cada uma das três temporalidades, e como essas relações foram ao longo do tempo determinando as atuais contrastantes posições de ambas – e dos países que as compõem – na hierarquia da riqueza e do poder mundiais, o Leste da Ásia na parte mais alta e América Latina na parte mais baixa?

Sendo muito geral e abstrata, esta pergunta necessariamente terá que ser desdobrada em outras que se refiram a períodos, temas e mesmos países específicos. Essas sim, poderão ser respondidas com dados e argumentos precisos e convincentes pelo pesquisador/a que as formular.  Nesse sentido, apresentamos algumas questões orientadoras:

  1. Como as duas regiões (ou um país de cada uma delas) responderam às orientações emanadas dos centro da economia-mundo para combater a crise de lucratividade do fim dos anos 1970 através da transformação do Estado e de sua intervenção na economia e qual a relação das diferentes respostas com a posição hoje ocupada por esse países na hierarquia mundial do poder e da riqueza?
  2. Como as duas regiões (ou países selecionados de cada uma delas) responderam ao avanço da indústria na segunda metade do século XIX?
  3. Pelo volume de capital necessário, pelos encadeamentos para trás (indústria siderúrgica, máquinas e equipamentos, conhecimento de engenharia, etc) e para a frente (diminuição dos custos e aumento de volume transportado, incentivando toda a economia), as ferrovias se constituíram em um dos mais importantes setores econômicos desde seu surgimento nos anos 1830. Como as duas regiões ou países selecionados de cada uma delas, tiraram proveito dessa inovação?
  4. No capítulo indústria a mesma pergunta básica pode ser feita para qualquer ramo específico em qualquer momento, por exemplo: automóveis (século XX), eletrônica (últimas décadas do século XX), indústria 4.0 (início do século XXI), etc.
  5. Como as preocupações com a defesa/segurança por parte do Estado, em cada uma das duas regiões, levaram-nos (ou não) a promover a indústria e a produção de tecnologias autóctones?
  6. Que fatores sistêmicos e endógenos podem explicar as posições periféricas/semiperiféricas (casos de Argentina, México e Brasil, na América Latina) ou mesmo de tendência/alcance do centro (casos de Japão e Coreia do Sul) na hierarquia global de riqueza? A questão regional pode servir como elemento de explicação dessas distintas condições?
 Site: www.gpepsm.ufsc.br

HOYÊDO NUNES LINS – hoyedo.lins@ufsc.br

Mapeamento do setor audiovisual em Santa Catarina
Trata-se de pesquisa no âmbito de parceria entre professores/pesquisadores ligados ao Departamento de Economia e Relações Internacionais (Profª Eva Catela) ou aos programas de pós-graduação em Economia e em RI (Profº. Hoyêdo N. Lins), de um lado, e ao Departamento de Cinema (Profº Alfredo Manevy e pesquisadora Caroline Mariga), de outro lado. O objetivo é levantar e analisar informações sobre o setor do audiovisual no estado, o que inclui produção cinematográfica, de documentários, de animação e de jogos eletrônicos, diagnosticando a situação e propondo iniciativas de política com vistas à promoção, tendo como destinatário a Fundação Catarinense de Cultura.
Dinâmica produtiva internacional e reflexos socioespaciais
Trata-se, no título acima, de uma designação geral, abrangente, para investidas diversas protagonizadas por mim na questão da assim chamada globalização. A ênfase tem recaído no que  a literatura mais recente refere como cadeias globais de valor. A dinâmica, as manifestações e os problemas associados à presença das CGV constituem assuntos explorados, de uma forma ou de outra. Assinalo que a mais recente investida materializou-se em artigo sobre os reflexos do “disruptive event” relacionado à pandemia da COVID-19 na internacionalização da indústria, com foco no Brasil e em Santa  Catarina.

IARA COSTA LEITE – iaracleite@hotmail.com

Mapeamento de ciência, tecnologia e inovação relacionadas a oceanos desenvolvidas por organizações baseadas em Florianópolis

A agenda dos oceanos, incluindo sua dimensão científico-tecnológica, vem ganhando atenção sem precedentes nas relações internacionais, como demonstram o estabelecimento da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030) e a produção de dados sobre a temática pela OCDE. Atividades como estas são definidoras de normas e políticas em âmbito global, impactando diversas regiões e localidades do planeta, o que demanda participação ativa das comunidades voluntaria ou involuntariamente implicadas na agenda, sob pena de se verem posteriormente compelidas a adotarem orientações internacionais que favoreçam apenas os interesses de um grupo limitado de atores. Tendo em vista a extensa faixa costeira do Brasil, diversas instituições, como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, vêm coletando informações e mobilizando atores dos mais diversos níveis dos sistemas nacional e regionais de inovação para garantir a articulação necessária para a inserção internacional na agenda. Santa Catarina é um dos estados-chave nesse processo, e entidades representativas do estado, como a FIESC, já reconhecem a economia do mar como pilar estratégico para a promoção do desenvolvimento regional. No entanto, as articulações em torno da agenda ainda acontecem de forma fragmentada, considerando-se necessário agregar dados relativos aos mais diversos setores da ciência, tecnologia e inovação oceânicas como meio para fortalecer as capacidades de articulação em torno da agenda, inclusive em âmbito internacional. A pesquisa ora proposta busca contribuir nesse sentido por meio do mapeamento e sistematização de atividades relevantes de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas por atores públicos, privados e acadêmicos baseados na cidade de Florianópolis. A partir da utilização de técnicas como revisão de literatura, pesquisas em websites das entidades pertinentes e contato com as mesmas, pretende-se construir uma plataforma com os dados obtidos e, a partir de sua síntese, publicar um folheto-síntese, em português, inglês e espanhol, um podcast e produtos acadêmicos. Além do impacto já mencionado, trata-se de uma oportunidade para fortalecer o envolvimento de estudantes e empreendedores vinculados ou egressos do RICTI/UFSC (grupo de pesquisa do registrado no CNPq em 2016) na solução de um problema que é característico de seu entorno e de outras regiões em desenvolvimento, contribuindo para fomentar as habilidades necessárias para que desenvolvam soluções que possam ser replicadas em outras localidades e para que galguem postos estratégicos no mercado de trabalho, sempre levando em conta a busca de ganhos simétricos nas relações internacionais.

Site: ricti.ufsc.br
Apoiando a inserção internacional ativa e consciente dos atores do sistema catarinense de inovação
O objetivo geral desse projeto de extensão é apoiar a inserção internacional ativa e consciente dos atores do sistema catarinense de inovação. Os objetivos específicos são: selecionar os atores que serão contemplados pelo projeto piloto (possivelmente um laboratório universitário, uma agência governamental e uma startup); conhecer e disseminar a trajetória da inserção internacional do ator; mapear e ranquear possibilidades de interação internacional junto a outros países, regiões e organizações internacionais a partir dos setores em que o ator é referência e dos setores em que deseja se tornar referência; treinar e assessorar os atores, individualmente ou em conjunto, na busca de parcerias; monitorar e avaliar o projeto piloto. A metodologia inclui: levantamento e sistematização de acordos e de seus desdobramentos; pesquisa documental; entrevistas e grupos focais; identificação de entidades homólogas de referência; criação de critérios para ranqueamento levando em consideração aspectos financeiros, linguísticos e de redes já existentes; elaboração de projetos a partir da identificação de parceiros; apoio na comunicação; treinamento em negociação; oficina para intercâmbio de conhecimentos. Como produtos, a serem gerados pelo projeto, estão: 3 bancos de acordos internacionais; 3 manuais de internacionalização; 3 plataformas para a identificação de parceiros, conhecimentos e oportunidades; pelo menos 1 curso de extensão em negociação internacional; pelo menos 1 oficina para intercâmbio de conhecimentos. Como impacto, espera- se aprimorar as capacidades dos atores envolvidos no projeto piloto para uma inserção internacional consciente e ativa, aumentando os benefícios da mesma para o entorno regional e nacional. Por fim, pretende-se contribuir para a inserção de egressos da UFSC no mercado de trabalho. Espera-se que isso ocorra tanto pelo maior envolvimento dos alunos na solução de problemas reais quanto pelo fato de o projeto piloto almejar lançar as bases para a formação de um instituto de assessoria aos atores do sistema de inovação catarinense, brasileiro e latino-americano em seu processo de internacionalização.
Site: ricti.ufsc.br

JULIANA LYRA VIGGIANO BARROSO – juliana.viggiano@gmail.com

Agentes internacionais e mecanismos institucionais de interação socioestatal: um estudo do Sistema de Alerta Temprano (SAT) na Colômbia
Esta pesquisa tem como objetivo investigar o papel que cumpre a esfera regional e os atores internacionais na difusão e manutenção de mecanismos de interface sócio-estatais utilizando como estudo de caso a Defensoría del Pueblo da Colômbia. Dadas as particularidades institucionais dessa agência – uma instituição estatal autônoma, credenciada como uma Instituição Nacional de Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas, responsável pelo monitoramento e promoção dos direitos humanos no país em questão – esse projeto busca avaliar  i) o papel desempenhado pelas organizações internacionais no desenvolvimento do principal mecanismo de interação da Defensoría com outras instâncias estatais: o Sistema de Alerta Temprano (SAT); ii) o impacto da percepção das agências internacionais no aprofundamento e continuidade desse mecanismo; e iii) como se envolveram as agências internacionais no processo de expansão regional, isto é, de exportação desse mecanismo para instituições afins em outros países na América Latina. A discussão explora o viés internacional na construção de mecanismos de controle democráticos na área dos direitos humanos, assim como avalia o envolvimento da dimensão externa na aplicação, conformação e dinâmica desses mecanismos no contexto nacional. Dialogando com a literatura sobre interfaces estatais e accountability, por um lado, e a discussão de redes de atores transnacionais nas relações internacionais por outro, esse projeto propõe apreender uma dimensão tradicionalmente negligenciada no primeiro corpo de estudos – a crescente relevância desempenhada pela esfera internacional nas dinâmicas domésticas – e, no outro, as interações que se desenvolvem entre agentes internacionais e atores locais e estatais na definição de processos políticos de âmbito nacional e local.

KARINE DE SOUZA SILVA – karine.silva@ufsc.br

Diáspora africana, refúgio e migrações 
A pesquisa objetiva analisar os movimentos migratórios de africanos e afrodescendentes no Brasil e os níveis de implementação dos direitos decorrentes das Resoluções 68/237 e 69/16 da Organização das Nações Unidas  – que proclamam a Década Internacional de Afrodescendentes –, concernente a diásporas, migrações e refúgios. A pesquisa também engloba os estudos dos processos de refúgios e/ou migrações de povos negros na África, América e Europa.
De(s)colonizando as relações internacionais
A pesquisa objetiva analisar os ativismos e as epistemologias negras e indígenas no sistema internacional, propondo uma perspectiva democrática, desocidentalizada e descolonizada do campo de Relações Internacionais. Pretende-se, em última instância, visibilizar as contribuições dos povos negros e indígenas para construção de uma historiografia crítica, plural e não-ocidentalizada das Relações Internacionais. Neste projeto também é incluído o tema das Reparações no Direito Internacional por conta do colonialismo e da escravidão.
Interseccionaliades de ‘gênero-raça’ e as hierarquias no sistema internacional
A pesquisa analisa as dimensões da colonialidade de gênero nas Relações Internacionais a partir dos feminismos negros decoloniais. A investigação possui duas dimensões: a compreensão do protagonismo e do empoderamento feminino negro e ou indígena nas Relações Internacionais; avaliação dos processos de subalternização a partir das imbricações de raça e gênero.

MÓNICA SALOMÓN – monica.salomon@gmail.com

Projeto guarda-chuva: gênero e relações internacionais
Abordagem, a partir de uma perspectiva de gênero, do conjunto de temas e fenômenos estudados na disciplina das Relações Internacionais, incluindo as áreas de segurança (militarismo; guerra; genocídio; violência sexual nos conflitos armados; terrorismo; construção da paz), economia política internacional (globalização, economia produtiva e reprodutiva; agricultura; migrações; trafico de pessoas; desenvolvimento), meio ambiente, ativismo transnacional, governança global; política externa.
 Site: a ser disponibilizado.
Projeto dimensões de gênero das políticas externas
O foco do projeto é compreender como as políticas externas promovem (ou fazem retroceder) os direitos de gênero, com foco nos direitos das mulheres. As principais áreas temáticas analisadas são a diplomacia (posicionamentos sobre os direitos de gênero nos fóruns internacionais), a cooperação para o desenvolvimento / cooperação sul-sul e a segurança global (agenda de Mulheres, Paz Segurança).  Além dos atores governamentais é considerado o papel das organizações feministas, das ONGs e outros atores da comunidade de desenvolvimento e dos grupos conservadores na formação de políticas externas com orientações de gênero, sejam progressistas ou conservadoras.

PATRÍCIA FONSECA FERREIRA ARIENTI – pffarienti@gmail.com

A manutenção do papel do dólar no sistema monetário internacional
O objetivo da pesquisa é estudar os motivos que levam o dólar a manter sua posição como moeda internacional, apesar da preocupação internacional em relação à deterioração da fragilidade financeira dos Estados Unidos, manifesta nos seus constantes e crescentes desequilíbrios externos e internos.
O papel dos Brics na agenda internacional: a relação entre Brasil e China
O objetivo da pesquisa é comparar o papel das instituições públicas da China e do Brasil (principalmente o BNDES) no financiamento de uma estratégia de inserção das suas empresas nacionais no mercado internacional e nas cadeias de operações globais.

PEDRO ANTÔNIO VIEIRA – pavieira60@gmail.com

A posição da América Latina e do Brasil na economia-mundo capitalista: do século XIX até o presente
Utilizando a Economia Política dos Sistemas-Mundo (EPSM), este projeto guarda-chuva pretende responder a seguinte pergunta: como e quanto a posição de um país na economia-mundo capitalista determina as possibilidades de sua ascensão na hierarquia do poder e da riqueza mundiais (o que comumente se denomina desenvolvimento econômico)? Do ponto de vista teórico-metodológico supõe-se que, em qualquer momento, as ações de um país para melhorar sua posição na distribuição mundial do poder e da riqueza  são condicionados: 1) por sua posição (semiperiférica ou periférica, no caso da América Latina) do Estado no sistema interestatal, a qual, por sua vez, é resultado do grau de desenvolvimento econômico alcançado dentro do espaço nacional (em relação ao desenvolvimento da economia-mundo); 2) pela conjuntura político-econômica da economia-mudo e do país enfocado; 3) Pelos interesses e coesão das forças que dirigem o Estado do país estudado.Vale a pena observar: a) que esta orientação teórico-metodológica pode ser aplicada a diferentes temas, períodos históricos e países da América Latina; b) através da comparação entre países, sejam eles da região ou de fora dela, pode-se explicar as diferenças em suas políticas características políticas, econômicas e sociais, bem como nos respectivos graus de desenvolvimento econômico. A esse respeito, estamos iniciando uma comparação entre Brasil e China desde o século XIX até o presente.Ainda sobre o método comparativo, o princípio metodológico basilar é considerar os países como partes do moderno sistema-mundo capitalista e não como entidades isoladas. Isso é assim porque os Estados que compõem o sistema interestatal estão conectados entre si por intercâmbios, comerciais, financeiros e políticos. Este princípio obriga a que se considere que as características econômicas, sociais e políticas de cada Estado se foram formando nas relações que esse Estado estabeleceu com a economia-mundo, isto é, com os demais Estados.