Projetos de Pesquisa

Projetos de Pesquisa dos Professores do PPGRI

ARY CESAR MINELLA – minella.ary@gmail.com
Grupos financeiros latino-americanos no século XXI: perfil econômico e sociopolítico comparado
A existência de grupos econômicos é um fenômeno amplo e central no capitalismo contemporâneo. A literatura tem destacado sua importância como agentes privilegiados das operações econômicas em esfera global e sua influência direta ou indireta sobre as políticas governamentais. Constituídos por empresas que operam em diferentes setores da economia e articulam capitais diversos, quando integrados por instituição financeira, especialmente quando esta constitui seu núcleo central, podem ser identificados como grupos financeiros. Análise preliminar sobre os quinze maiores bancos privados latino-americanos (sede na região) indicou que pelo menos dez deles, localizados em cinco países, podem ser considerados como grupos financeiros. O objetivo geral é analisar de forma comparativa o perfil econômico e sociopolítico de cinco grupos de diferentes países: Itaúsa (Banco Itaú Unibanco, Brasil), Grupo Saieh (CorpBanca, Chile), Grupo Romero (Banco de Crédito do Peru), Grupo Antioqueño (Bancolombia, Colômbia) e Grupo Banorte (Banco Mercantil do Norte, México). Entre os objetivos específicos, busca-se identificar e comparar a estrutura de controle e participação acionária e a composição dos ativos, analisar as relações com o Estado e a participação nos processos políticos a partir de indicadores selecionados; a participação em associações de representação de classe e a relação com os trabalhadores assalariados e os vínculos com organizações de natureza político-ideológica e think tank. Os procedimentos metodológicos incluem a pesquisa bibliográfica e documental e a Análise de Redes Sociais. A pesquisa tem apoio do CNPQ e se desenvolverá no período de março de 2015 a fevereiro de 2019
CLARISSA FRANZOI DRI – clarissa.dri@ufsc.br
O papel do Brasil na América Latina: liderança e cooperação setorial
A presente proposta fundamenta-se em uma dupla constatação. De um lado, está a necessidade de uma reflexão sistemática, embasada e objetiva sobre as áreas e os mecanismos de cooperação postos em prática pelos Estados latino-americanos e do lugar do Brasil nesse processo. Trata-se de mapear as iniciativas de cooperação e analisar em profundidade, caso a caso, as origens, os fatores determinantes, as características e as consequências da cooperação. De outro lado, os rumos atuais do regionalismo na América Latina demandam novos enfoques analíticos. Para além das instituições, regras jurídicas e funcionamento da integração econômica, faz-se premente o estudo dos temas que são ou deveriam ser compartilhados por agentes públicos de países vizinhos. Trata-se de ultrapassar os limites administrativos e burocráticos dos processos de integração em curso e desvendar os conteúdos das iniciativas transnacionais. Desse modo, as estratégias da lideranças brasileira podem ser desvendadas.
O projeto busca, assim, conhecer e sistematizar os temas sensíveis à realidade sul-americana que estão presentes ou ausentes das iniciativas de cooperação em curso e subsidiar, com dados técnicos e interpretações teóricas, os debates sobre os rumos do regionalismo sul-americano. Metodologicamente, a prioridade será o trabalho com pesquisa empírica qualitativa e o recurso à extensão universitária como meio de estimular a reflexão crítica dos participantes sobre o andamento e os resultados da pesquisa.
Na primeira etapa do projeto (2012-2015), foram mapeadas as áreas de cultura, direitos humanos e justiça de transição, gênero e meio-ambiente. Na segunda etapa (2015-2018), o objetivo é aprofundar as análises em saúde, migrações e segurança alimentar.
DANIEL RICARDO CASTELAN – daniel.castelan@ufsc.br
Empresariado brasileiro e projetos alternativos de política externa
O empresariado brasileiro, embora sem ter vínculos orgânicos com o Partido dos Trabalhadores (PT), apoiou a política econômica e externa implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à aceleração do crescimento via distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno, especialmente entre 2003 e 2008. Desde então, duas circunstâncias combinaram-se para que o apoio empresarial às orientações do governo começasse a ruir. Primeiro, com o impasse na Rodada Doha em 2008, o setor agroexportador perdeu as esperanças de abrir mercados na Europa e nos EUA por meio de negociações multilaterais. Diante do fracasso em Doha, os EUA lançaram negociações com economias Sul-Americanas que erodiram as preferências até então garantidas à indústria brasileira pelos os acordos entre o Mercosul e a América do Sul. À reorientação da estratégia norte-americana somaram-se os primeiros sinais de que o mercado doméstico não ficaria imune à crise internacional, contrariando as previsões de ‘descolamento’ que alguns haviam defendido. Com o mercado interno e externo ameaçados, despontaram duras críticas à política comercial e externa do PT, que por fim tornaram-se hegemônicas na nova política externa proposta pela coalizão governista liderada pelo PMDB após a derrubada da presidente Dilma Rousseff em 2016. A fragmentação da base política dos governos petistas e o respectivo fortalecimento de um projeto alternativo de política externa e de comércio exterior são os objetos desse projeto de pesquisa. Mais precisamente, os objetivos do projeto são: (a) analisar a mudança no posicionamento empresarial com relação à política comercial, identificando suas lideranças, seus contornos principais e as disputas internas à coalizão; (b) buscar na estrutura econômica e na conjuntura política e econômica explicações para a pulverização do apoio aos governos do PT; (c) discutir as teorias sobre coalizões políticas e política externa à luz dos resultados encontrados.
DANIEL DE SANTANA VASCONCELOS – daniel.s.vasconcelos@ufsc.br
Instabilidade financeira, regulação bancária e modelos de stock-flow consistent analysis aplicados ao caso brasileiro
Análise teórica e empírica da hipótese de Instabilidade Financeira, de Hyman Minsky, no contexto da economia brasileira. O modelo analítico aplicado é de Stock-Flow Consistent Analysis (SFCA), em termos de interligação entre o setor financeiro brasileiro e o resto da economia. O sistema financeiro brasileiro reflete as mesmas tendências internacionais de financeirização e maior dinâmica, embora preservando as especificidades domésticas (regulação mais rigorosa, sistema mais oligopolizado, presença de grandes bancos públicos). Mas o sistema segue normatização internacional (Acordos de Brasília) e depende muito, também, das condições internacionais de liquidez para dispor de maiores condições de crédito e funding interno para o investimento. E pode, assim como proposto por Minsky, ser fonte de instabilidade financeira para a economia brasileira.
FERNANDO SEABRA – f.seabra@ufsc.br
Pesquisas e Estudos para Apoio Técnico à Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República – SAC/PR no Planejamento do Setor Aeroportuário Brasileiro
A presente pesquisa trata da avaliação das áreas de captação dos aeroportos brasileiros com ênfase à politica de regionalização dos aeródromos e da avaliação e estimação da movimentação de cargas pelo modal aéreo no mercado doméstico e internacional. Neste último objetivo são considerados os seguintes aspectos: convergência de classificação e tipificação das cargas aos conceitos de organismos internacionais como a IATA e ICAO e determinantes específicos para a movimentação doméstica e internacional.
GRACIELA DE CONTI  PAGLIARI – graciela.pagliari@gmail.com
Brasil e América do Sul: Atores, conflitos e ameaças em segurança e defesa 
Este projeto intenta investigar, analisar e compreender quais são os atores, os conflitos e as ameaças que o Brasil e os países de seu entorno imediato consideram no atual contexto internacional e, portanto, utilizam-nas para a construção de suas políticas externas e de segurança e defesa. Para tanto, se propõe a analisar e comparar as relações bilaterais ou multilaterais entre os Estados da região, ou mesmo as atuações e relações decorrentes da atuação em organismos regionais multilaterais de cooperação. Isso porque outros atores que não os estatais se consolidaram como partícipes das e nas dinâmicas de segurança e defesa internacionais, e mais especificamente na região sul-americana. Conflitos e ameaças também assumiram uma roupagem diferenciada daquela desenvolvida no período da bipolaridade do sistema internacional. Naquele, os Estados e seus tomadores de decisão, as forças armadas e a contenção convencional assumiam a linha de frente das dinâmicas de segurança. Falar em defesa significava referir-se à manutenção da segurança e estabilidade dos Estados nacionais, de suas instituições e sua população, por meio da utilização das forças armadas. Contemporaneamente Estados, grupos insurgentes, paramilitares, organizações não estatais, são atores que podem atuar como securitizadores, promotores de conflito e produtores de ameaças. Assim, nas últimas décadas há a consolidação de temas e atores que são vistos como recorrentes produtores de inseguridade seja para Estados ou indivíduos. Questões como tráfico de drogas e armas, contrabando, crime organizado, são apontados pelos teóricos e pelos tomadores de decisão como os principais problemas produtores de insegurança. Muito embora a região sul-americana esteja afastada dos principais palcos conflitivos do mundo e suas dinâmicas sejam relativamente pouco securitizadas, tais questões apontadas como problemas relevantes para a segurança têm encontrado campo fértil para se desenvolver na região, especialmente considerando-se a realidade das fronteiras porosas e dos temas transnacionais e intra-estatais. O projeto enfatiza a área sul-americana mas não apenas. Outras áreas do mundo trabalhadas na perspectiva de áreas de segurança movidas por meio de diversos temas como terrorismo, segurança energética e segurança humana, podem ser objeto de estudo.
HELTON RICARDO OURIQUES – helton.ricardo@ufsc.br
O Brasil diante do ressurgimento da China: possibilidades e limites
A pesquisa parte da hipótese da China como uma potência em ascensão, destacando a possibilidade de esse país ser o epicentro de um “Século XXI asiático”.  Evidências desse cenário passam pelo notável crescimento econômico chinês, pela importância crescente de sua produção manufatureira em escala global e pelo recente incremento de investimentos externos desse país em vários países em desenvolvimento, especialmente, mas não exclusivamente,  na África e na América Latina. Estaria a China, em sua autodenominada estratégia de “ascensão pacífica”, ocupando espaços econômicos ao redor do planeta em um momento de crise sistêmica, para se tornar um novo centro hegemônico? Com base nessa indagação, essa pesquisa pretende investigar as consequências da ascensão chinesa para a economia-mundo capitalista, em geral, e para a América do Sul e o Brasil, em particular). Especificamente em relação ao nosso país, o problema a ser abordado nessa pesquisa diz respeito à necessidade de compreensão da situação do Brasil nesse momento histórico de ressurgimento da China. Em outras palavras: como está se posicionando e quais os limites e possibilidades colocados para nosso país, diante das mudanças em curso na economia-mundo capitalista decorrentes da importância cada vez maior da economia chinesa nos principais processos de acumulação de capital? Dado que a China vem se inserindo cada vez mais nas cadeias mercantis de valor mais elevado, que possibilidades estão colocadas para o Brasil nesse cenário? Será que nosso país apenas aproveitará o “boom das commodities” (como dito por alguns documentos e autores que serão citados posteriormente) e permanecerá na mesma situação estrutural histórica, isto é, principalmente como um fornecedor de matérias-primas para as metrópoles? Nesse sentido, há algo realmente de distinto no incremento das relações Brasil – China em relação ao padrão histórico de relacionamento econômico do Brasil com Europa e Estados Unidos?
HOYÊDO NUNES LINS – hoyedo.lins@ufsc.br
Regionalização econômica e integração produtiva: termos do debate e observação de experiências
Globalização rima, em grande medida, com fragmentação de processos produtivos e desdobramento espacial de segmentos e etapas da fabricação de mercadorias, sobretudo no âmbito da indústria. As cadeias globais de produção e comercialização representam tipo de configuração que exprime de modo eloquente essa fragmentação e a decorrente distribuição espacial. Processos de regionalização econômica, levando à constituição de blocos de países, formalizados ou não, constituem terreno fértil para os referidos movimentos. O Mercosul representa a regionalização econômica por excelência nas latitudes da América Latina em que o Brasil está presente. Daí o interesse em investigar o “binômio” regionalização econômica – integração produtiva atribuindo destaque à realidade do Mercosul.
IARA COSTA LEITE – iaracleite@hotmail.com
Desenho, implementação e efetividade da cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação: uma análise de acordos bilaterais envolvendo o Brasil
As relações internacionais em Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) estão passando por profundas transformações nos últimos anos. Por um lado, observam-se o deslocamento da produção científica do nível nacional para o nível global, com base em redes auto-organizáveis, o aumento da interdependência Norte-Sul e a emergência de novas potências abrem oportunidades para a cooperação com países em desenvolvimento. Por outro lado, nota-se a emergência de uma guerra global por talentos e recursos científicos. Nesse contexto, a estrutura institucional da diplomacia científica vem passando por reformas em diversos países, e as políticas públicas em C,T&I passam a encampar cada vez mais estratégias e ações internacionais. Os acordos bilaterais de cooperação em C,T&I são marco central para a implementação de estratégias vinculadas à diplomacia científica e de políticas de apoio à internacionalização da P&D. Ainda sabe-se pouco, contudo, quais são os condicionantes do desenho, da implementação e da efetividade desses acordos. Em geral, a literatura de Relações Internacionais reflete pouco sobre o papel dos acordos bilaterais para a cooperação entre Estados, e quando o faz não enfoca especificamente ciência, tecnologia e inovação, convergindo com lacuna geral de reflexões específicas sobre esses temas. A pesquisa ora proposta se propõe a contribuir para preencher tais lacunas. Seu objetivo geral é compreender quais fatores influenciam o desenho, a implementação e a efetividade da cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação a partir da análise de acordos bilaterais envolvendo o Brasil. Para tanto, serão cumprido os seguintes objetivos específicos: (1) mapear e compreender elementos e dinâmicas centrais da cooperação, da cooperação internacional, da cooperação internacional em C,T&I e das políticas públicas por meio de mapeamento e sistematização de literatura acadêmica; (2) sistematizar e analisar os acordos bilaterais em ciência  tecnologia assinados pelo Brasil, com construção de banco de dados a partir de codificação dos acordos e verificação de variação dos resultados segundo indicadores de C,T&I do país e sua posição no âmbito global; (3) mapear e sistematizar desdobramentos em C,T&I na área civil no âmbito de acordos assinados pelo Brasil com oito países (Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Alemanha, China, Índia, Argentina, México), identificando os condicionantes de seu desenho, implementação e efetividade, utilizando-se de levantamento de literatura, pedidos de acesso à informação, aprofundamento da análise dos acordos e outros.
JAIME CESAR COELHO – jccoelho@ineu.org.br
A Economia Política Internacional e os estudos do Desenvolvimento
Há uma enorme interface entre os estudos da sociologia e das ciências econômicas sobre o desenvolvimento, com a ontologia da Economia Política Internacional. Supomos que seria de grande utilidade para o desenvolvimento da EPI, que se buscasse desenvolver um trabalho sistemático de aproximação dos campos, entendendo em que medida um mesmo objeto pode ser analisado, descrito e investigado por meio da utilização da riqueza conceitual acumulada no desenvolvimento destas disciplinas. Podemos citar como exemplo concreto do suposto anterior a possível interface entre as teorias da dependência e os estudos da interdependência. Na América Latina há uma longa tradição de estudos sobre a dependência que podem e devem ser contrastados com os estudos sobre a interdependência, próprios do campo da EPI e de tradição anglo-saxã. O próprio desenvolvimento do conceito de interdependência complexa (Keohane e Nye), conceito consagrado no campo das Relações Internacionais, tem em sua genealogia vários estudiosos do desenvolvimento. Objetivo Geral: o projeto visa criar uma ponte entre as teorias do desenvolvimento e o campo da Economia Política Internacional, dialogando metodologicamente no sentido de uma aprimoramento conceitual para a análise de como a inserção externa afeta direta ou indiretamente as perspectivas do desenvolvimento econômico e social. Objetivos Específicos: a) verificar as possíveis aproximações teóricas entre as teorias do desenvolvimento e as perspectivas teóricas próprias da Economia Política Internacional b) promover e estimular estudos monográficos, dissertações e artigos a partir da pesquisa sobre processos concretos, focalizados, de trajetórias de desenvolvimento e inserção externa.
JULIANA LYRA VIGGIANO BARROSO – juliana.viggiano@gmail.com
Agentes internacionais e mecanismos institucionais de interação socioestatal: um estudo do Sistema de Alerta Temprano (SAT) na Colômbia
Esta pesquisa tem como objetivo investigar o papel que cumpre a esfera regional e os atores internacionais na difusão e manutenção de mecanismos de interface sócio-estatais utilizando como estudo de caso a Defensoría del Pueblo da Colômbia. Dadas as particularidades institucionais dessa agência – uma instituição estatal autônoma, credenciada como uma Instituição Nacional de Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas, responsável pelo monitoramento e promoção dos direitos humanos no país em questão – esse projeto busca avaliar  i) o papel desempenhado pelas organizações internacionais no desenvolvimento do principal mecanismo de interação da Defensoría com outras instâncias estatais: o Sistema de Alerta Temprano (SAT); ii) o impacto da percepção das agências internacionais no aprofundamento e continuidade desse mecanismo; e iii) como se envolveram as agências internacionais no processo de expansão regional, isto é, de exportação desse mecanismo para instituições afins em outros países na América Latina. A discussão explora o viés internacional na construção de mecanismos de controle democráticos na área dos direitos humanos, assim como avalia o envolvimento da dimensão externa na aplicação, conformação e dinâmica desses mecanismos no contexto nacional. Dialogando com a literatura sobre interfaces estatais e accountability, por um lado, e a discussão de redes de atores transnacionais nas relações internacionais por outro, esse projeto propõe apreender uma dimensão tradicionalmente negligenciada no primeiro corpo de estudos – a crescente relevância desempenhada pela esfera internacional nas dinâmicas domésticas – e, no outro, as interações que se desenvolvem entre agentes internacionais e atores locais e estatais na definição de processos políticos de âmbito nacional e local.
KARINE DE SOUZA SILVA – karinedesouzasilva@gmail.com
Descolonizar as Organizações Internacionais para construção da paz sustentável: um estudo sobre a cooperação técnica e política entre a Organização das Nações Unidas e União Africana
A presente pesquisa situa-se no campo temático das Organizações Internacionais, e concede um enfoque especial à construção da paz e promoção dos direitos humanos em África, através do estudo da cooperação técnica e política entre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA), examinados segundo os pressupostos das abordagens Decoloniais. A pesquisa objetiva analisar, através de estudos de casos da cooperação técnica e política entre a Organização das Nações Unidas e União Africana, com base nas abordagens Decoloniais, em que medida é possível “descolonializar” as Nações Unidas para viabilizar a construção da paz em África. Os objetivos específicossão: a) Apontar as contribuições que as abordagens Decolonais e pós-coloniais podem aportar os campos do Direito Internacional Público, em especial, o Direito das Organizações Internacionais.; b) Identificar, através de estudos de casos da cooperação entre a UA e as agências das Nações Unidas, em que medida é possível “descolonizar” normas, práticas e saberes da ONU, cuja arquitetura foi modulada pelo pensamento Eurocêntrico; c) Apontar a integração regional como elemento facilitador da construção da paz em África; d) Indicar as características singulares da geometria variável que envolve a cooperação triangular entre o Brasil, a UA e a ONU, indagando em que medida os diálogos contribuem para integração econômica, territorial e social destas regiões ou se reproduzem a perspectiva hierárquica da colonialidade do poder. O projeto irá abordar, nos estudos de casos, a cooperação técnica e política entre a UA e as agências e programas da ONU, em âmbitos relacionados a: refúgios e migrações;  construção da paz e promoção dos Direitos Humanos; desenvolvimento e prestação de serviços destinados à construção de Estados  e promoção da integração regional. Inserindo-se no contexto das linhas de pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais/UFSC, o trabalho – que será desenvolvido sob o abrigo do “Eirenè – Núcleo de Pesquisas e Extensão sobre as Organizações Internacionais e a promoção da paz, dos direitos humanos e da integração regional” -, pretende, em última instância suprir uma lacuna nos estudos sobre as  Relações Internacionais, que a análise das Organizações Internacionais a partir de perspectivas críticas que transcendem as lógicas estabuladas pelas teorias mainstream da disciplina. As abordagens Decoloniais e pós-coloniais contribuem ao alargarem o campo de visão para enxergar um outro lugar epistemológico nos cenários de pesquisas da disciplina. Estas teorias permitem examinar criticamente as assimetrias e exclusões que operam nas diversas instâncias eurocentradas da sociedade internacional e que são permeadas por dinâmicas de produção de desigualdades identitárias, raciais e de gênero. O emprego das categorias pós-coloniais e decoloniais nos âmbitos do Direito Internacional e das Relações Internacionais favorece, também, o dialogo emancipatório e heterárquico com coletividades historicamente destituídas de voz e agência no seio das Instituições multilaterais.
LUCAS PEREIRA REZENDE – lucas.rezende@ufsc.br
Avaliando a Teoria Realista Ofensiva de Cooperação em Defesa: testes empíricos nos cinco continentes
Desenvolvida em Rezende (2013), a teoria realista ofensiva de cooperação na unipolaridade parte das expectativas teóricas do realismo ofensivo e das dinâmicas estruturais da unipolaridade. A teoria partilha ainda do suposto trazido por Diniz (2006) de complementaridade entre o realismo ofensivo e a unipolaridade. A teoria indica que há razões, sob determinadas circunstâncias, que justificam a cooperação em defesa pelos Estados. Uma vez que a expectativa do realismo ofensivo é a maximização do poder dos Estados, diferentes estruturas levarão a diferentes formas de maximização de poder. Em seu desenvolvimento, busquei trazer uma construção teórica ampla que nos permita compreender (1) a motivação dos Estados para cooperar em defesa; (2) as variáveis independentes que afetam a cooperação em defesa; (3) um modelo amplo de cooperação em defesa que possa ser replicado em diferentes regiões do mundo. Partindo do realismo ofensivo de Mearsheimer (2001) e da discussão sobre a unipolaridade de Wohlforth (1999 e 2009), a teoria apresenta que, sob a unipolaridade, os constrangimentos estruturais levam a uma nova expectativa de comportamento para os demais Estados do sistema internacional. Não sendo possível o balanceamento contra a potência unipolar, as pressões estruturais serão para a contenção de Estados revisionistas – tanto na balança de poder global quanto nas regionais. Nesse cenário, tentativas de alteração das balanças de poder regionais serão punidas pelo sistema. A forma como os Estados poderão, então, maximizar o seu poder é a cooperação em defesa, uma vez que tal cooperação supõe uma concordância – ou ao menos não discordância – da potência unipolar. Guiados pelo dilema da segurança, os Estados se preocuparão com os ganhos relativos, motivo pelo qual qualquer tentativa de nova hegemonia regional será contida pelos demais Estados. Nesse sentido, a cooperação em defesa deve prover não apenas aumento da capacidade estatal individual, mas também elementos distributivos que não desencadeiem uma corrida armamentista no plano regional e nem um balanceamento offshore por parte da potência unipolar. Cooperar em defesa serve, portanto, para aumentar a posição relativa dos Estados participantes tanto frente aos demais Estados quanto frente à potência unipolar, sem, contudo, aumentar as pressões do dilema da segurança. Esse suposto reafirma o princípio egoísta dos Estados, de buscarem maximizar o seu poder para melhor garantir a sua sobrevivência, mas mostrando que novos tempos exigem novas formas de maximização de poder. O objetivo do presente projeto de pesquisa é realizar um amplo teste empírico para a teoria supra apresentada, buscando testá-la sob diferentes condições políticas regionais, mas dentro do período que consideramos condizente com a unipolaridade global dos Estados Unidos da América, entre 1990 e 2013. Nossa hipótese central é que a teoria é capaz de explicar as dinâmicas regionais de cooperação nas balanças regionais de poder na era da unipolaridade, mesmo ao se levar em consideração as diferenças culturais e políticas dessas regiões, o que atualiza e confirma a continuidade da capacidade explicativa do realismo ofensivo para o período pós-Guerra Fria. Para tanto, será necessário desenvolver análises das balanças de poder regionais nos cinco continentes, podendo, até mesmo, haver subdivisões justificadas pelo poder parador da água, como é o caso do continente Americano, que pode ser subdivido em América do Norte, América Central e América do Sul.
MÓNICA SALOMÓN – monica.salomon@gmail.com
Dimensões de gênero na política externa brasileira
O projeto visa analisar os processos de construção da agenda, de tomada de decisões e de implementação das dimensões sensíveis ao gênero da política externa brasileira (objetivo geral). Seus objetivos específicos são: Identificar as principais dimensões da política externa brasileira sensível ao gênero. Identificar e mapear os atores, oficiais e não oficiais, internos e externos, que contribuem à configuração das diferentes dimensões da política externa brasileira sensível ao gênero.  Avaliar o papel e o peso dos diferentes atores na configuração das diferentes dimensões da política externa brasileira sensível ao gênero.
PATRÍCIA FONSECA FERREIRA ARIENTI – pffarienti@gmail.com
A manutenção do papel do dólar no sistema monetário internacional
O objetivo da pesquisa é  estudar os motivos que levam o dólar a manter sua posição como moeda internacional, apesar da preocupação internacional em relação à deterioração da fragilidade financeira dos Estados Unidos, manifesta nos seus constantes e crescentes desequilíbrios externos e internos.
 O papel dos Brics na agenda internacional: a relação entre Brasil e China
O objetivo da pesquisa é comparar o papel das instituições públicas da China e do Brasil (principalmente o BNDES) no financiamento de uma estratégia de inserção das suas empresas nacionais no mercado internacional e nas cadeias de operações globais.
PEDRO ANTÔNIO VIEIRA – pavieira60@gmail.com
América Latina e Brasil no sistema interestatal capitalista: Uma análise a partir da Economia Política dos Sistemas-Mundo
Utilizando a Economia Política dos Sistemas-Mundo (EPSM), a pesquisa pretende examinar como e quanto a posição de um país na economia-mundo capitalista contribui para determinar a orientação, objetivos e possibilidades de realização de sua políticas externa e econômica, esta última visando o desenvolvimento econômico. Do ponto de vista teórico-metodológico supõe-se que, em qualquer momento, as ações de qualquer país destinadas a melhorar a posição na distribuição mundial do poder (política externa) e da riqueza (desenvolvimento econômico) são condicionados: 1) pela posição (semiperiférica ou periférica, no caso da América Latina) do Estado no sistema interestatal, a qual, por sua vez, é resultado do grau de desenvolvimento econômico alcançado dentro do espaço nacional (em relação ao desenvolvimento da economia-mundo); 2) pela conjuntura político-econômica da economia-mudo e do país enfocado; 3) pelos interesses das forças que dirigem o Estado do país estudado. Vale a pena observar: a) que esta orientação teórico-metodológica pode ser aplicada a diferentes temas, períodos históricos e regiões/países relacionados à política externa de qualquer país da América Latina; b) através da comparação entre países pode-se buscar explicar as diferenças em suas políticas externa e nos graus de desenvolvimento econômico a partir das respectivas conexões com a economia-mundo.