Projetos de Pesquisa

Veja a relação de projetos atuais dos professores do PPGRI.

Projetos de Pesquisa dos Professores do PPGRI

CLARISSA FRANZOI DRI – clarissa.dri@ufsc.br
O papel do Brasil na América Latina: liderança e cooperação setorial
A presente proposta fundamenta-se em uma dupla constatação. De um lado, está a necessidade de uma reflexão sistemática, embasada e objetiva sobre as áreas e os mecanismos de cooperação postos em prática pelos Estados latino-americanos e do lugar do Brasil nesse processo. Trata-se de mapear as iniciativas de cooperação e analisar em profundidade, caso a caso, as origens, os fatores determinantes, as características e as consequências da cooperação. De outro lado, os rumos atuais do regionalismo na América Latina demandam novos enfoques analíticos. Para além das instituições, regras jurídicas e funcionamento da integração econômica, faz-se premente o estudo dos temas que são ou deveriam ser compartilhados por agentes públicos de países vizinhos. Trata-se de ultrapassar os limites administrativos e burocráticos dos processos de integração em curso e desvendar os conteúdos das iniciativas transnacionais. Desse modo, as estratégias da lideranças brasileira podem ser desvendadas. O projeto busca, assim, conhecer e sistematizar os temas sensíveis à realidade sul-americana que estão presentes ou ausentes das iniciativas de cooperação em curso e subsidiar, com dados técnicos e interpretações teóricas, os debates sobre os rumos do regionalismo sul-americano. Metodologicamente, a prioridade será o trabalho com pesquisa empírica qualitativa e o recurso à extensão universitária como meio de estimular a reflexão crítica dos participantes sobre o andamento e os resultados da pesquisa. Na primeira etapa do projeto (2012-2015), foram mapeadas as áreas de cultura, direitos humanos e justiça de transição, gênero e meio-ambiente. Na segunda etapa (2016-2020), o objetivo é aprofundar as análises em saúde, migrações e segurança alimentar.
DANIEL RICARDO CASTELAN – daniel.castelan@ufsc.br
Empresariado brasileiro e projetos alternativos de política externa
O empresariado brasileiro, embora sem ter vínculos orgânicos com o Partido dos Trabalhadores (PT), apoiou a política econômica e externa implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à aceleração do crescimento via distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno, especialmente entre 2003 e 2008. Desde então, duas circunstâncias combinaram-se para que o apoio empresarial às orientações do governo começasse a ruir. Primeiro, com o impasse na Rodada Doha em 2008, o setor agroexportador perdeu as esperanças de abrir mercados na Europa e nos EUA por meio de negociações multilaterais. Diante do fracasso em Doha, os EUA lançaram negociações com economias Sul-Americanas que erodiram as preferências até então garantidas à indústria brasileira pelos os acordos entre o Mercosul e a América do Sul. À reorientação da estratégia norte-americana somaram-se os primeiros sinais de que o mercado doméstico não ficaria imune à crise internacional, contrariando as previsões de ‘descolamento’ que alguns haviam defendido. Com o mercado interno e externo ameaçados, despontaram duras críticas à política comercial e externa do PT, que por fim tornaram-se hegemônicas na nova política externa proposta pela coalizão governista liderada pelo PMDB após a derrubada da presidente Dilma Rousseff em 2016. A fragmentação da base política dos governos petistas e o respectivo fortalecimento de um projeto alternativo de política externa e de comércio exterior são os objetos desse projeto de pesquisa. Mais precisamente, os objetivos do projeto são: (a) analisar a mudança no posicionamento empresarial com relação à política comercial, identificando suas lideranças, seus contornos principais e as disputas internas à coalizão; (b) buscar na estrutura econômica e na conjuntura política e econômica explicações para a pulverização do apoio aos governos do PT; (c) discutir as teorias sobre coalizões políticas e política externa à luz dos resultados encontrados.
DANIELLE JACON AYRES PINTO – danielle.ayres@ufsc.br
Vigilância, Monitoramento, Cooperação e Desafios do Panorama Cibernético: Defesa Cibernética no Novo Livro Branco e na Nova Política Nacional de Defesa
 O projeto tem como objetivo debater os documentos nacionais de defesa e como os mesmos tratam a questão da problemática cibernética. O objetivo central do projeto subdivide em ter grandes objetivos que compreendem em primeiro lugar ajudar na construção uma abordagem do desenvolvimento do caso da politica brasileira para a segurança e defesa cibernética do país e, em segundo lugar, entender de forma comparativa o quadro geral desse desenvolvimento. A problemática levantada consiste em duas questões que nortearão o problema de pesquisa: (1) os novos documentos de defesa indicam uma evolução positiva nas estruturas de poder cibernético no Brasil? Quais? Como podemos situar essas mudanças dentro do quadro regional e internacional do desenvolvimento das políticas de defesa na área cibernética? e (2) Qual é a situação do sistema de defesa cibernética a outras estruturas nacionais na América do Sul, do Norte, Europa e Ásia? A metodologia da pesquisa é composta por estudo comparativo, de perfil qualitativo e quantitativo, com a finalidade de fazer uma análise dos temas aqui apresentados. Para isso, membros participantes do projeto, os departamentos e núcleos de pesquisa aos quais eles estão ligados, possuem uma série de bancos de dados que serão de grande importância para a ampliação dos estudos comparados sobre o tema.
Segurança Internacional e Defesa no Século XXI
 Este Projeto está alicerçado na discussão de questões contemporâneas de segurança internacional e defesa.
Novas Tecnologias e Ciberpoder: o Estado e a Construção de sua Capacidade no Século XXI
 A discussão conceitual acerca do poder na esfera externa evolui juntamente com o amadurecimento da Relações Internacionais enquanto área do conhecimento, que preconizava reorganizar as conceituações e esforços teóricos à medida em que transformava recursos e a realidade existentes enquanto capacidades e ameaças factíveis. Ao Passo que observou-se coexistência de recursos de poder econômicos e militares como determinantes das dinâmicas interacionais no século XIX, a transição para um cenário no qual os recursos militares desempenharam papel fundamental enquanto unidade de medida do poder nacional, em um contexto de conflitualidade e dissuasão nunca experimentado anteriormente. Entretanto, as subsequentes implicações do uso tradicional de tecnologias de recursos de poder, o surgimento de novos atores não-estatais e a ascensão e adesão às tecnologias de informação e comunicação (TIC) enquanto recurso difuso entre novos e velhos atores, tanto a nível individual quanto estatal ou interacional, nos coloca à mercê de uma nova transição quanto ao pensar e mensurar o poder. Assim, esse projeto tem por objetivo problematizar os novos pilares do poder Estatal no século XXI e verificar como as novas tecnologias cibernéticas influenciam nessa dinâmica e na ascensão de novos polos de poder não-estatais dentro do sistema internacional
FERNANDO SEABRA – f.seabra@ufsc.br
Pesquisas e Estudos para Apoio Técnico à Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República – SAC/PR no Planejamento do Setor Aeroportuário Brasileiro
A presente pesquisa trata da avaliação das áreas de captação dos aeroportos brasileiros com ênfase à politica de regionalização dos aeródromos e da avaliação e estimação da movimentação de cargas pelo modal aéreo no mercado doméstico e internacional. Neste último objetivo são considerados os seguintes aspectos: convergência de classificação e tipificação das cargas aos conceitos de organismos internacionais como a IATA e ICAO e determinantes específicos para a movimentação doméstica e internacional.
GRACIELA DE CONTI  PAGLIARI – graciela.pagliari@gmail.com
Brasil e América do Sul: Atores, conflitos e ameaças em segurança e defesa 
Este projeto guarda-chuva engloba as pesquisas desenvolvidas em âmbito dos projetos Pró-Estratégia (Edital n. 50/2011, CAPES e SAE/PR) e Pró-Defesa (Edital n. 31/2013, CAPES e Ministério da Defesa), aquele abordando mais especificamente a temática “Vigilância nas fronteiras e muros virtuais: um estudo analítico de políticas públicas e sistemas operacionais de proteção às estruturas estratégicas terrestres” e este é focado em “Cenários Internacional e Regional de Segurança e Defesa: uma abordagem civil-militar”. O projeto intenta investigar, analisar e compreender quais são os atores, os conflitos e as ameaças que o Brasil e os países de seu entorno imediato consideram no atual contexto internacional e, portanto, utilizam-nas para a construção de suas políticas externas e de segurança e defesa. Para tanto, se propõe a analisar e comparar as relações bilaterais ou multilaterais entre os Estados da região, ou mesmo as atuações e relações decorrentes da atuação em organismos regionais multilaterais de cooperação. Isso porque outros atores que não os estatais se consolidaram como partícipes das e nas dinâmicas de segurança e defesa internacionais, e mais especificamente na região sul-americana. Conflitos e ameaças também assumiram uma roupagem diferenciada daquela desenvolvida no período da bipolaridade do sistema internacional. Naquele, os Estados e seus tomadores de decisão, as forças armadas e a contenção convencional assumiam a linha de frente das dinâmicas de segurança. Falar em defesa significava referir-se à manutenção da segurança e estabilidade dos Estados nacionais, de suas instituições e sua população, por meio da utilização das forças armadas. Contemporaneamente Estados, grupos insurgentes, paramilitares, organizações não estatais, são atores que podem atuar como securitizadores, promotores de conflito e produtores de ameaças. Assim, nas últimas décadas há a consolidação de temas e atores que são vistos como recorrentes produtores de inseguridade seja para Estados ou indivíduos. Questões como tráfico de drogas e armas, contrabando, crime organizado, são apontados pelos teóricos e pelos tomadores de decisão como os principais problemas produtores de insegurança. Muito embora a região sul-americana esteja afastada dos principais palcos conflitivos do mundo e suas dinâmicas sejam relativamente pouco securitizadas, tais questões apontadas como problemas relevantes para a segurança têm encontrado campo fértil para se desenvolver na região, especialmente considerando-se a realidade das fronteiras porosas e dos temas transnacionais e intra-estatais. O projeto enfatiza a área sul-americana – mas não exclusivamente – enfocando as instituições e órgãos regionais de segurança e/ou defesa, cooperação civil-militar, atores estatais e não estatais. Outras áreas do mundo trabalhadas na perspectiva de áreas de segurança movidas por meio de diversos temas como terrorismo, segurança energética e segurança humana, podem ser objeto de estudo.
HELTON RICARDO OURIQUES – helton.ricardo@ufsc.br
O Brasil diante do ressurgimento da China: possibilidades e limites
A pesquisa parte da hipótese da China como uma potência em ascensão, destacando a possibilidade de esse país ser o epicentro de um “Século XXI asiático”.  Evidências desse cenário passam pelo notável crescimento econômico chinês, pela importância crescente de sua produção manufatureira em escala global e pelo recente incremento de investimentos externos desse país em vários países em desenvolvimento, especialmente, mas não exclusivamente,  na África e na América Latina. Estaria a China, em sua autodenominada estratégia de “ascensão pacífica”, ocupando espaços econômicos ao redor do planeta em um momento de crise sistêmica, para se tornar um novo centro hegemônico? Com base nessa indagação, essa pesquisa pretende investigar as consequências da ascensão chinesa para a economia-mundo capitalista, em geral, e para a América do Sul e o Brasil, em particular). Especificamente em relação ao nosso país, o problema a ser abordado nessa pesquisa diz respeito à necessidade de compreensão da situação do Brasil nesse momento histórico de ressurgimento da China. Em outras palavras: como está se posicionando e quais os limites e possibilidades colocados para nosso país, diante das mudanças em curso na economia-mundo capitalista decorrentes da importância cada vez maior da economia chinesa nos principais processos de acumulação de capital? Dado que a China vem se inserindo cada vez mais nas cadeias mercantis de valor mais elevado, que possibilidades estão colocadas para o Brasil nesse cenário? Será que nosso país apenas aproveitará o “boom das commodities” (como dito por alguns documentos e autores que serão citados posteriormente) e permanecerá na mesma situação estrutural histórica, isto é, principalmente como um fornecedor de matérias-primas para as metrópoles? Nesse sentido, há algo realmente de distinto no incremento das relações Brasil – China em relação ao padrão histórico de relacionamento econômico do Brasil com Europa e Estados Unidos?
 América do Sul e Leste Asiático na perspectiva sistêmica: trajetórias de desenvolvimento e subdesenvolvimento
O objetivo dessa pesquisa é estudar o desenvolvimento econômico na perspectiva sistêmica. Partindo dos pressupostos de que a polarização, a desigualdade e a hierarquia são características estruturais do capitalismo histórico, pretende-se compreender como se deram as trajetórias de desenvolvimento nas periferias e semiperiferias, através da compreensão de um quadro geral e do estudo de casos particulares (Argentina, Brasil, China, Coreia do Sul, por exemplo), através da elaboração de análises comparadas de longo prazo.
HOYÊDO NUNES LINS – hoyedo.lins@ufsc.br
Regionalização econômica e integração produtiva: termos do debate e observação de experiências
Globalização rima, em grande medida, com fragmentação de processos produtivos e desdobramento espacial de segmentos e etapas da fabricação de mercadorias, sobretudo no âmbito da indústria. As cadeias globais de produção e comercialização representam tipo de configuração que exprime de modo eloquente essa fragmentação e a decorrente distribuição espacial. Processos de regionalização econômica, levando à constituição de blocos de países, formalizados ou não, constituem terreno fértil para os referidos movimentos. O Mercosul representa a regionalização econômica por excelência nas latitudes da América Latina em que o Brasil está presente. Daí o interesse em investigar o “binômio” regionalização econômica – integração produtiva atribuindo destaque à realidade do Mercosul.
IARA COSTA LEITE – iaracleite@hotmail.com
Desenho, implementação e efetividade da cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação: uma análise de acordos bilaterais envolvendo o Brasil
Por que os Estados assinam acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação? Quais são os interesses, instituições e normas centrais que moldam esses acordos? Por que alguns deles são implementados e outros não? Quais fatores influenciam o grau de implementação dos acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação? Como tais fatores se relacionam com o modo pelo qual os acordos são desenhados? Essas são perguntas cada vez mais relevantes em um contexto marcado pela emergência de componentes internacionais das políticas de ciência, tecnologia e inovação, por reformas na estrutura da diplomacia científica de diversos países e pelo aumento do número de acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação assinados entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Para começar a responder tais questões e a elaborar hipóteses iniciais sobre o desenho e a implementação dos acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação esta pesquisa focará os acordos assinados pelo Brasil. Por um lado, como país emergente o Brasil é considerado um mercado-chave para as iniciativas de diplomacia científica levadas adiante por outros países. Por outro lado, os acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação, assinados pelo Brasil desde a década de 70, são valorizados dentro do país por uma série de razões: são considerados necessários para proteger sua soberania e também refletem o papel central atribuído ao Estado na promoção do desenvolvimento, para o qual as relações bilaterais em ciência, tecnologia e inovação também são vistas como chave. A pesquisa será operacionalizada a partir de três passos: construção de um marco teórico interdisciplinar a partir de revisão e sistematização da literatura sobre sistemas de inovação, análise de políticas públicas, cooperação internacional, processos decisórios em política externa e estrutura institucional da diplomacia científica, focando o papel dos acordos internacionais em ciência, tecnologia e inovação; construção de banco de dados com o objetivo de se elaborar uma taxa de implementação dos acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação assinados pelo Brasil; levantamento de variáveis e hipóteses sobre a implementação de acordos bilaterais em ciência, tecnologia e inovação a partir de estudos de caso de países e áreas com alto e baixo graus de implementação.
JULIANA LYRA VIGGIANO BARROSO – juliana.viggiano@gmail.com
Agentes internacionais e mecanismos institucionais de interação socioestatal: um estudo do Sistema de Alerta Temprano (SAT) na Colômbia
Esta pesquisa tem como objetivo investigar o papel que cumpre a esfera regional e os atores internacionais na difusão e manutenção de mecanismos de interface sócio-estatais utilizando como estudo de caso a Defensoría del Pueblo da Colômbia. Dadas as particularidades institucionais dessa agência – uma instituição estatal autônoma, credenciada como uma Instituição Nacional de Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas, responsável pelo monitoramento e promoção dos direitos humanos no país em questão – esse projeto busca avaliar  i) o papel desempenhado pelas organizações internacionais no desenvolvimento do principal mecanismo de interação da Defensoría com outras instâncias estatais: o Sistema de Alerta Temprano (SAT); ii) o impacto da percepção das agências internacionais no aprofundamento e continuidade desse mecanismo; e iii) como se envolveram as agências internacionais no processo de expansão regional, isto é, de exportação desse mecanismo para instituições afins em outros países na América Latina. A discussão explora o viés internacional na construção de mecanismos de controle democráticos na área dos direitos humanos, assim como avalia o envolvimento da dimensão externa na aplicação, conformação e dinâmica desses mecanismos no contexto nacional. Dialogando com a literatura sobre interfaces estatais e accountability, por um lado, e a discussão de redes de atores transnacionais nas relações internacionais por outro, esse projeto propõe apreender uma dimensão tradicionalmente negligenciada no primeiro corpo de estudos – a crescente relevância desempenhada pela esfera internacional nas dinâmicas domésticas – e, no outro, as interações que se desenvolvem entre agentes internacionais e atores locais e estatais na definição de processos políticos de âmbito nacional e local.
KARINE DE SOUZA SILVA – karine.silva@ufsc.br
Diáspora africana, refúgio e migrações 
Apesquisa objetiva analisar os movimentos migratórios de africanos e afrodescendentes no Brasil e os níveis de implementação dos direitos decorrentes das Resoluções 68/237 e 69/16 da Organização das Nações Unidas  – que proclamam a Década Internacional de Afrodescendentes –, concernente a diásporas, migrações e refúgios. A pesquisa também engloba os estudos dos processos de refúgios e/ou migrações de povos negros na África, América e Europa.
Epistemologias do Sul, África e a descolonização das Relações Internacionais
A pesquisa objetiva analisar o(s) lugar(es) do continente africano nas Relações Internacionais, propondo uma perspectiva desocidentalizada e descolonizada das Relações Internacionais. Pretende-se, em última instância visibilizar as contribuições dos povos negros para construção de uma historiografia crítica, plural e não-ocidentalizada das Relações Internacionais. Neste projeto também é incluído o tema das Reparações no Direito Internacional por conta do colonialismo e da escravidão.
Interseccionaliades de ‘gênero-raça’ e as hierarquias no Sistema Internacional.
A pesquisa analisa as dimensões da colonialidade de gênero nas Relações Internacionais a partir dos feminismos negros pós/decoloniais.  A investigação possui duas dimensões: a compreensão do protagonismo e do empoderamento feminino nas Relações Internacionais; avaliação dos processos de subalternização a partir das discriminações interseccionais de raça e gênero.
LUCAS PEREIRA REZENDE – lucas.rezende@ufsc.br
Avaliando a Teoria Realista Ofensiva de Cooperação em Defesa: testes empíricos nos cinco continentes
Desenvolvida em Rezende (2013), a teoria realista ofensiva de cooperação na unipolaridade parte das expectativas teóricas do realismo ofensivo e das dinâmicas estruturais da unipolaridade. A teoria partilha ainda do suposto trazido por Diniz (2006) de complementaridade entre o realismo ofensivo e a unipolaridade. A teoria indica que há razões, sob determinadas circunstâncias, que justificam a cooperação em defesa pelos Estados. Uma vez que a expectativa do realismo ofensivo é a maximização do poder dos Estados, diferentes estruturas levarão a diferentes formas de maximização de poder. Em seu desenvolvimento, busquei trazer uma construção teórica ampla que nos permita compreender (1) a motivação dos Estados para cooperar em defesa; (2) as variáveis independentes que afetam a cooperação em defesa; (3) um modelo amplo de cooperação em defesa que possa ser replicado em diferentes regiões do mundo. Partindo do realismo ofensivo de Mearsheimer (2001) e da discussão sobre a unipolaridade de Wohlforth (1999 e 2009), a teoria apresenta que, sob a unipolaridade, os constrangimentos estruturais levam a uma nova expectativa de comportamento para os demais Estados do sistema internacional. Não sendo possível o balanceamento contra a potência unipolar, as pressões estruturais serão para a contenção de Estados revisionistas – tanto na balança de poder global quanto nas regionais. Nesse cenário, tentativas de alteração das balanças de poder regionais serão punidas pelo sistema. A forma como os Estados poderão, então, maximizar o seu poder é a cooperação em defesa, uma vez que tal cooperação supõe uma concordância – ou ao menos não discordância – da potência unipolar. Guiados pelo dilema da segurança, os Estados se preocuparão com os ganhos relativos, motivo pelo qual qualquer tentativa de nova hegemonia regional será contida pelos demais Estados. Nesse sentido, a cooperação em defesa deve prover não apenas aumento da capacidade estatal individual, mas também elementos distributivos que não desencadeiem uma corrida armamentista no plano regional e nem um balanceamento offshore por parte da potência unipolar. Cooperar em defesa serve, portanto, para aumentar a posição relativa dos Estados participantes tanto frente aos demais Estados quanto frente à potência unipolar, sem, contudo, aumentar as pressões do dilema da segurança. Esse suposto reafirma o princípio egoísta dos Estados, de buscarem maximizar o seu poder para melhor garantir a sua sobrevivência, mas mostrando que novos tempos exigem novas formas de maximização de poder. O objetivo do presente projeto de pesquisa é realizar um amplo teste empírico para a teoria supra apresentada, buscando testá-la sob diferentes condições políticas regionais, mas dentro do período que consideramos condizente com a unipolaridade global dos Estados Unidos da América, entre 1990 e 2013. Nossa hipótese central é que a teoria é capaz de explicar as dinâmicas regionais de cooperação nas balanças regionais de poder na era da unipolaridade, mesmo ao se levar em consideração as diferenças culturais e políticas dessas regiões, o que atualiza e confirma a continuidade da capacidade explicativa do realismo ofensivo para o período pós-Guerra Fria. Para tanto, será necessário desenvolver análises das balanças de poder regionais nos cinco continentes, podendo, até mesmo, haver subdivisões justificadas pelo poder parador da água, como é o caso do continente Americano, que pode ser subdivido em América do Norte, América Central e América do Sul.
MARCELO AREND – marcelo.arend@ufsc.br
Desindustrialização, Deservicilização e Agropecuarização: o Conceito de “Doença Brasileira”
Nos últimos anos no Brasil o debate sobre a relativa estagnação econômica movimentou pesquisadores acadêmicos, instituições empresariais, representantes de esferas governamentais e a imprensa especializada. A problemática refere- se à relativa estagnação da produtividade agregada nacional e a mudança estrutural da economia, marcada por desindustrialização e ganhos crescentes ganhos de participação no PIB e no emprego do setor de serviços. O fenômeno da agropecuarização da economia brasileira, evidenciado pelo sucesso do agronegócio brasileiro na economia mundial, também revela crescente especialização produtiva em atividades de baixa intensidade tecnológica. A pesquisa, ao recuperar diferentes interpretações para o processo de mudança estrutural, procura avançar no debate, através de uma analise comparativa do Brasil com outras economias e da evolução da produtividade do trabalho no período pós-1980. A partir de uma análise comparativa internacional das últimas três décadas, ancorada pelas perspectivas teóricas estruturalista e schumpeteriana, a pesquisa procurará avançar criticamente em relação ao fenômeno da estagnação econômica do Brasil, propondo uma nova interpretação: a construção do conceito de doença brasileira”
Economia, Complexidade e Indivíduo
O presente projeto de pesquisa segue as ideias de Davis (2003) sobre o fato de que sem o reconhecimento da centralidade do individuo não e possível compreender a evolução histórica dos sistemas políticos em termos de liberdade, direitos humanos, desenvolvimento do conhecimento e da ciência. Há razões para acreditar que o conceito de individualidade utilizado na economia pode ser tido como inadequado; a concepção tradicional do individuo não explica o que é o individuo, apenas fornece uma concepção abstrata que utiliza o termo “individual” para representar os indivíduos como átomos, pessoas únicas, coleções de pessoas, países, máquinas ou qualquer conceito que seja possível atribuir uma função de maximização (DAVIS, 1992; 2003; 2011). O que será defendido e que o estudo do individuo continua central ao estudo da Economia, especialmente no que se refere aos avanços discussão da complexidade e da proposta de indivíduos institucionalizados, heterogêneos, evolucionários e reflexivos que atuam em sistemas adaptativos complexos (herança de Simon) e são a proposta recente (a la Kirman e modelos baseados em agentes) do pensar o individuo (social e reflexivo) na Economia
MÓNICA SALOMÓN – monica.salomon@gmail.com
 Dimensões de Gênero das Políticas Externas
O projeto visa analisar os processos de construção da agenda, de tomada de decisões e de implementação das dimensões sensíveis ao gênero da política externa brasileira e, através da análise comparativa, de outras políticas externas (objetivo geral)Seus objetivos específicos são:. Identificar as principais dimensões sensíveis ao gênero das políticas externas. Identificar e mapear os atores, oficiais e não oficiais, internos e externos, que contribuem à configuração das diferentes dimensões sensíveis ao gênero das políticas externas. Avaliar o papel e o peso dos diferentes atores na configuração das diferentes dimensões sensíveis ao gênero das políticas externas.Além da brasileira, as políticas externas inicialmente estudadas são as do Canadá, Espanha e Chile
PATRÍCIA FONSECA FERREIRA ARIENTI – pffarienti@gmail.com
A manutenção do papel do dólar no sistema monetário internacional
O objetivo da pesquisa é  estudar os motivos que levam o dólar a manter sua posição como moeda internacional, apesar da preocupação internacional em relação à deterioração da fragilidade financeira dos Estados Unidos, manifesta nos seus constantes e crescentes desequilíbrios externos e internos.
 O papel dos Brics na agenda internacional: a relação entre Brasil e China
O objetivo da pesquisa é comparar o papel das instituições públicas da China e do Brasil (principalmente o BNDES) no financiamento de uma estratégia de inserção das suas empresas nacionais no mercado internacional e nas cadeias de operações globais.
PEDRO ANTÔNIO VIEIRA – pavieira60@gmail.com
A posição da América Latina e do Brasil na Economia-Mundo Capitalista: do século XIX até o presente
Utilizando a Economia Política dos Sistemas-Mundo (EPSM), este projeto guarda-chuva pretende responder a seguinte pergunta: como e quanto a posição de um país na economia-mundo capitalista determina as possibilidades de sua ascensão na hierarquia do poder e da riqueza mundiais (o que comumente se denomina desenvolvimento econômico)?Do ponto de vista teórico-metodológico supõe-se que, em qualquer momento, as ações de um país para melhorar sua posição na distribuição mundial do poder e da riqueza  são condicionados: 1) por sua posição (semiperiférica ou periférica, no caso da América Latina) do Estado no sistema interestatal, a qual, por sua vez, é resultado do grau de desenvolvimento econômico alcançado dentro do espaço nacional (em relação ao desenvolvimento da economia-mundo); 2) pela conjuntura político-econômica da economia-mudo e do país enfocado; 3) Pelos interesses e coesão das forças que dirigem o Estado do país estudado.Vale a pena observar: a) que esta orientação teórico-metodológica pode ser aplicada a diferentes temas, períodos históricos e países da América Latina; b) através da comparação entre países, sejam eles da região ou de fora dela, pode-se explicar as diferenças em suas políticas características políticas, econômicas e sociais, bem como nos respectivos graus de desenvolvimento econômico. A esse respeito, estamos iniciando uma comparação entre Brasil e China desde o século XIX até o presente.Ainda sobre o método comparativo, o princípio metodológico basilar é considerar os países como partes do moderno sistema-mundo capitalista e não como entidades isoladas. Isso é assim porque os Estados que compõem os sistema interestatal estão conectados entre si por intercâmbios, comerciais, financeiros e políticos. Este princípio obriga a que se considere que as características econômicas, sociais e políticas de cada Estado se foram formando nas relações que esse Estado estabeleceu com a economia-mundo, isto é, com os demais Estados.